Cruz e Sousa - Consciência Negra

Olá, leitores e leitoras!

Estava ansiosa para conseguir postar ainda em novembro o registro da atividade que fizemos sobre a consciência negra. Então, vamos lá!

Voltamos do ensino híbrido há pouco mais de um mês e este foi o projeto que nos dedicamos para realizar com o turno da noite nesse finalzinho de ano letivo. A Expo EJA de 2021 do CIEP 252 (Tanguá - RJ), escola que eu trabalho, teve como temática a valorização da cultura negra. Apesar do pouco tempo, conseguimos realizar atividades bem bacanas.

Sou professora do 2° ano de Português e Literatura. Nas nossas aulas estávamos trabalhando os períodos literários do Parnasianismo e Simbolismo, então, resolvi trabalhar um pouco mais com os alunos sobre o poeta Cruz e Sousa, o Dante Negro, esse exímio poeta brasileiro, representante do Simbolismo (final do século XIX), para associar ao projeto proposto.

Cruz e Sousa era filho de negros escravizados e foi apadrinhado pelo "senhor" dos seus pais, por isso recebeu estudos e possuía um vasto conhecimento cultural, além da primorosa habilidade com as palavras notada desde a infância.

Propus aos alunos que fizessem releituras de poemas de Cruz e Souza, além disso, eles realizaram uma apresentação com um trecho de uma das cartas que o poeta escreve ao amigo Virgílio. Nesta carta, conta sobre as suas angústias e frustrações por não ter o reconhecimento que merecia devido ao racismo.

Foi muito interessante trabalhar com o autor, os alunos tiveram uma boa receptividade, ficaram bem impressionados com a história do poeta.

Vejam abaixo alguns registros da atividade...

Na próxima postagem, contarei um pouco mais do que realizamos para este evento.

INEFÁVEL

Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas.

Cruz e Sousa












 



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